domingo, 3 de fevereiro de 2008

Recapitulando...

Quando imaginamos que um assunto já está encerrado, que o passado empurrou-o para longe e fez com que repousasse nos recônditos da memória, eis que aflora e bate à nossa porta.

Literalmente bate à nossa porta.

Hoje, quando ia entrar em meu apartamento, dei-me com um homem aparentemente estranho à minha porta. Ia tocar a campainha, mas nem deu tempo. Surpreendeu-se com meu surgimento repentino e por milésimos de segundos paralisou...

- Você é um dos salvadores do meu apartamento?

Há pouco mais de um mês, relatei aqui o caso do incêndio num apartamento em meu prédio, o qual conseguimos apagar a tempo (veja em http://hugoharris.blogspot.com/2007/12/fogos-de-ano-novo-antes-da-hora.html). Como descrevi na época, tivemos sorte pois o fogo não pegou em alguns elementos inflamáveis que estavam por perto.

Mas após a pergunta daquele senhor, que eu nem imaginava que apareceria por lá, eu que fiquei paralisado. Envergonhado, para dizer a verdade. Pois o homem oferecia, em sua humildade, um vaso de flores e um pacote com uma bela garrafa de vinho como agradecimento. Havíamos arrebentado sua porta e enchido o apartamento de pó químico. Mas ele queria agradecer do mesmo jeito.

Eu não o havia encontrado após o incidente e sabia que o apartamento tinha sido vendido. Ele voltará para Israel. Claro que o incêndio não tem nada a ver com isso, pois a decisão já tinha sido tomada há tempos. Ele até me passou a informação a respeito da sorte que tivemos, pois se fosse em Israel, o fogo teria comido toda sua residência. Disse-me que as portas dos apartamentos são feitas de aço, por causa de assaltos (me surpreendi quando ele disse que não era por causa do medo de bombas).

Com tudo isso, tive uma sensação esquisita, como se aquele acontecimento surgisse de novo. Achei que o proprietário daquele apartamento não apareceria mais, e não tinha nenhum problema quanto a isso. Agora, fica parecendo que a distância entre aquele dia 31 de dezembro e hoje foi encurtada, como uma elipse cinematográfica. Talvez esse seja o efeito do passado trazido para perto. Sei lá, queria apenas terminar este texto com algo meio filosófico. Fui.

4 comentários:

Jorge Aun disse...

Grande Hugo!! Agora também é herói. Quem sabe é um aviso para você prestar a Academia Barro Branco e virar bombeiro?? hehe

Abraços

Seu Pai disse...

Pois é, Hugo, a gratidão vem muitas vezes dos lugares mais inesperados. Pensávamos que o proprietário fosse achar ruim por ter arrombado a porta do seu apartamento. Como desconhecemos a reação humana. Seria reflexo de como nós mesmos reagiríamos em circunstâncias semelhantes?

Rô disse...

Oi, Hugo, que legal...o gesto de gratidão e gentil deste senhor judeu...que te surpreendeu...abç.

Thais disse...

Final de texto muito filosófico...eu filosofaria mais...um homem acostumado com o egoísmo e descaso das pessoas se surpreende com pessoas como vc que a primeira coisa que pensa é em como ajudar sem esperar alguma coisa em troca.